11.12.2006

Poesia: Estas Vozes

Sobre estas vozes
falando mentiras diversas,
serei eu a dona
destas vozes dispersas?

Por que querem-me cúmplice?
O que com isso pretendem?
Por que agem assim soltas,
fazendo o que bem entendem?

E nas noites tão longas,
nas quais perco o sono de vez,
por que não se deitam estas vozes
assim como o corpo fez?

Mas não falo das vozes
que nos permitem amar;
estas são vozes mudas,
estas não sabem falar.

Falo das vozes sórdidas
que nos fazem acreditar
que os sórdidos somos nós,
e que não nos cabe amar.

São as tiranas vozes
que não se deixam cessar;
frias, mortas, vazias,
impossíveis de calar.

Pensamento, algum dia,
lhe chamaram "linear",
mas que linha seguem, estas vozes,
que só vivem a vagar?

Mas são nuvens, disto não passam!
Com o vento, vão-se embora.
Amanhã já serão outras,
se acabam as de agora.

Posso sentir o vento
Que nos tornará libertos.
Ah, consciência tardia... Até quando estes céus encobertos?


Betina Ule