1.25.2007

Mahabharata: Cap. 08

A jovem princesa do norte, Gandhari, foi escolhida por Bhishma para ser esposa de Dhritarashtra, cuja cegueira era ocultada de todos. A comitiva de Gandhari chegou trazendo alegria a capital Hastinapura, e a noiva esperava ansiosa o dia do casamento. Sua serva favorita passeava pela cidade todos os dias, para trazer-lhe informações de sua nova residência. Tudo era encantador e maravilhoso em seus relatos, até o dia em que ela retornou transtornada.
- Princesa, fostes traída. Dhritarashtra é cego, cego de nascença.
- É impossível – replicou a jovem – um rei não pode ser cego.
- Perguntei a um velho guarda. Os olhos do rei jamais verão a luz.
Em poucos instantes, o espírito e o corpo da jovem envelheceram dezenas de anos, não era mais uma criança.
- Esconderam-me isso? Meu esposo, de olhos vazios, tateia nas trevas. Um rei cego reina na noite, sobre monstros, entre gritos de um povo doentio. Minhas pinturas, minhas jóias, é tudo inútil para um cônjuge que jamais poderá apreciar a minha beleza. – pegou um xale negro, enrolou como uma faixa e continuou dizendo – coloco uma venda sobre meus olhos. Amarro-a com firmeza e jamais a retirarei. Assim não poderei nunca censurar meu esposo por sua infelicidade.
Vyasa que ditava essa história, parou, olhou para Shri Ganesha e para o menino, e disse:
- O gesto de Gandhari, ao escolher as trevas, suscitou críticas e admiração. Alguns consideraram excesso de obediência, outros, um claro sinal de amor. Muitos suspeitaram de amarga decepção, rancor, obscura revolta e tristeza. Entretanto, Dhritarashtra só viu nele ternura e felicidade. No dia do casamento, tocou a venda da princesa e todos viram sua emoção.
- Vyasa, disseste-me que Kunti terás filhos maravilhosos. Mas Pandu foi amaldiçoado pela gazela. Como será isso? – indagou o atento menino, que o acompanhava desde o começo da narrativa.- Eis agora o prodígio. – disse Vyasa.


Continua... Os cinco Pândavas