Poesia: O Viajante

De onde eu vim? Que importância isso tem?
Pra vosmicê, ou pra mim.
Podia se do norte e inté do sul,
Modos que eu to sempre camiando, pra encontra meu mar azul.
Mas eu sou fio da Terra, sertanejo valente.
O meu sangue também é vremeio, como o de toda essa gente.
E assim como eles, cansado da lida.
Rodei pelo mundo, tentando de qualque modo, construi minha vida.
Muié, fios pra criá, e uns pertence poco que nos ajudasse a vive.
Mas que nada, essa seca só fez nós luta pra num morre.
Rasguei essa caatinga de ponta a ponta, andando noite e dia.
E eis que sentada na sombra, encontro Maria.
Vestida de seda e cetim, briando mais que fogueira em noite de São João.
Seu perfume cheirava jasmim, me deu água pra bebe, e ainda estendeu-me sua mão.
Tirou-me da seca, soprou minha cabeça e me ensinou a canta.
Aprumado, todo alinhado, só queria dança.
Até que num baile, vi faces vazias, de todas as cor, enrugadas do sol.
A tristeza teimou, o coração apertou, e me fez indagá:
Ó Nossa Senhora, que tanto nos acude, e nos faz querdita,
Donde ta a senhora, pra esses fios predidos pode salva?
São fios da seca, fios da lida, fios da vida
Moram por aí, de qualque idade e profissão
Perdidos vagueiam, assim como um dia fui eu, nessa imensidão.
Ao longe, o vento soprou,
e a folha tão bela, da primavera, no meu ouvido falou:
“crê no que digo, estou contigo,
abre tuas mão, estufa teu peito e põe-se a canta,
a melodia dos anjos, que toda noite te canto, na hora de irte deitá”.
Retirante de passagem
Abertura do Seminário Yuva de 2005
Pra vosmicê, ou pra mim.
Podia se do norte e inté do sul,
Modos que eu to sempre camiando, pra encontra meu mar azul.
Mas eu sou fio da Terra, sertanejo valente.
O meu sangue também é vremeio, como o de toda essa gente.
E assim como eles, cansado da lida.
Rodei pelo mundo, tentando de qualque modo, construi minha vida.
Muié, fios pra criá, e uns pertence poco que nos ajudasse a vive.
Mas que nada, essa seca só fez nós luta pra num morre.
Rasguei essa caatinga de ponta a ponta, andando noite e dia.
E eis que sentada na sombra, encontro Maria.
Vestida de seda e cetim, briando mais que fogueira em noite de São João.
Seu perfume cheirava jasmim, me deu água pra bebe, e ainda estendeu-me sua mão.
Tirou-me da seca, soprou minha cabeça e me ensinou a canta.
Aprumado, todo alinhado, só queria dança.
Até que num baile, vi faces vazias, de todas as cor, enrugadas do sol.
A tristeza teimou, o coração apertou, e me fez indagá:
Ó Nossa Senhora, que tanto nos acude, e nos faz querdita,
Donde ta a senhora, pra esses fios predidos pode salva?
São fios da seca, fios da lida, fios da vida
Moram por aí, de qualque idade e profissão
Perdidos vagueiam, assim como um dia fui eu, nessa imensidão.
Ao longe, o vento soprou,
e a folha tão bela, da primavera, no meu ouvido falou:
“crê no que digo, estou contigo,
abre tuas mão, estufa teu peito e põe-se a canta,
a melodia dos anjos, que toda noite te canto, na hora de irte deitá”.
Retirante de passagem
Abertura do Seminário Yuva de 2005

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