1.04.2007

Mahabharata: Cap. 05

A noite caía, a pira do jovem rei apenas acabara de consumir-se quando Satyavati chamou as princesas e disse-lhes que iriam ter filhos de Vyasa, para que a história pudesse prosseguir. O sábio nunca contou o que se passou na intimidade com cada uma das princesas, apenas disse:
- Aproximei-me com a única idéia de perpetuar minha raça. A primeira, quando me viu, fechou os olhos com repugnância e os manteve fechados o tempo todo. Eu lhe disse: “terás um filho, chamar-se-á Dhritarashtra. Porém, porque fechaste os olhos ao me ver, teu filho nascerá cego”. A segunda, prevenida, manteve os olhos abertos, mas foi tão sensível ao meu cheiro que sua face perdeu a cor. E lhe disse: “terás um filho, mas ele nascerá branco, será chamado Pandu, o Pálido”.
Naquele tempo, um rei não podia ser cego, e uma pele branca não era sinal de inteligência nem de saúde. Foi por isso que Vyasa precisou ter mais um filho, com uma serva. Mas Vidura, filho de uma serva, não poderia ser rei, e passou a vida dando conselhos que nunca foram ouvidos.
Vyasa retornou ao encontro de Shri Ganesha e do menino, que os acompanhava desde o principio da história.
Passaram-se vinte anos. Cuidados por Bhishma e Satyavati, os dois irmãos reais atingiram a idade adulta. Cego, Dhritarashtra não podia pretender ao trono. Por isso, coroou-se Pandu, embora fosse o segundo filho.
- Pandu casou-se? – perguntou o menino.
- Sim. Bhishma escolheu para ele duas moças, Kunti e Madri. Veja.
Vyasa apontou para o rio, e lá, eles viram uma jovem caminhando lentamente. Por vezes, olhava para o céu. Depois, parecia procurar no chão um objeto perdido.
- É Kunti. – disse Vyasa – Sem saber, leva em seu ventre o destino de toda a terra. Será a mãe daqueles que serão chamados os filhos de Pandu, os Pândavas, os cinco irmãos. Filhos maravilhosos, sem os quais não estaria aqui, e cuja a vida te contarei.
- Por que ela olha tanto para o sol? – indagou Shri Ganesha.
- É um segredo, um segredo fundamental.


Continua na próxima quinta: O segredo de Kunti