12.16.2006

Casa Santa: Cap 7

Sanfoneiro: Por que estrada mais comprida? Por que légua tão tirana? Ai se eu tivesse casa, ainda hoje eu retornava. Quando o sol tostou as folhas e bebeu o riachão, perdi todas as esperança e a fé na oração. Tô vortando estrupiado, mas aprendi uma lição: não se abandona o certo, não se vende o coração. Não importa o quanto se ande, por esse imenso sertão. As porteiras estarão sempre abertas, pra ter de volta um bom irmão.
Sanfoneiro se afasta. Sons de risos de crianças.
João: Mas de onde vem isso? Eu conheço essa brincadeira.
Pai de João: Bem vindo de volta João, encontrou otras filicidades por aí?
João: Pai?! Eu cheguei em casa?! Não, não encontrei nada como isso aqui... Pai, quem são aquelas crianças tão alegres?
Pai de João: São seus irmãos.
João: Mais tantos? Tão crescidos, faz tanto tempo que nem me alembro direito.
Pai de João: E da sua mãe, você se alembra?
João: Claro que alembro da minha mãezinha. Como ela está?
Pai de João: Vai lá dentro, que ela ta te esperando.
Som de trovões e de chuva.
João: Oh, minha mãe, que saudade grande, perdoa esse fio, que saiu por aí sem se dar conta do mal que estava fazendo a ele mesmo. Recebe eu de volta, e por tua graça, trás pra cá otros tantos fios teu que eu vi perdido por aí, rodando o mundo sem direção, sem esperança. Vagando na seca, buscando essa chuva de bênção que aqui nunca para de caí. Recebe a todos nessa tua casa santa, feita de amor e muita filicidade.

FIM