3.29.2007

Mahabharata: Cap.13

Na primeira aula de arco e flecha. Drona amarrou um abutre de palha no alto da árvore. Depois pediu aos novos alunos, com ordens secas e breves, para fazerem pontaria. E perguntava a cada um o que estava vendo. Aos que viam o abutre, mas também o galho da árvore ou o céu, Drona dava ordem de retornar para o fim da fila. Dizendo apenas – Inútil atirar.
Arjuna foi o último. Calmo e harmonioso nos modos.
- Que vês?
- Um abutre.
- Descreve-me esse abutre.
- Não posso – respondeu Arjuna sem estremecer um milímetro.
- Por quê?
- Só vejo sua cabeça.
- Solta tua flecha.
E o abutre caiu transpassado diante deles. Drona disse:
- Farei de ti o melhor arqueiro do mundo. Te ensinarei tudo o que sei.
- Mesmo as armas divinas?
- Não. Guardarei comigo esse segredo, pois é preciso que este jamais caia ao alcance dos homens.
- Por que então as armas se não podes servir-te delas? – indagou Arjuna.
- Porque mesmo lançadas com uma luz fraca, elas consumiriam a terra... Arjuna, nenhum de meus alunos te igualará, jamais. Prometa-me que se um dia o destino nos colocar frente a frente e me vires avançar contra ti, ameaçador, deves bater-te contra mim para matar-me.
Arjuna só tinha quinze anos, levou alguns segundos para entender o que se passava ali. Ajoelhou-se diante de Drona, seu mestre, e disse.
- Sim, eu te prometo.

Continua: O jovem habilidoso