O Louco: Cap.IX
Selma engatilha o revólver. Vai em direção a frágil escada que leva ao segundo andar. Cada passo soa como uma nota desafinada nas tábuas velhas. Seus pés parecem colar no chão, ela precisa redobrar os esforços para chegar no segundo andar.
Lá, encontra várias portas. Uma delas está entreaberta. Selma a escolhe e entra no cômodo. O suor escorre pela testa e o coração parece querer sair pela boca. Ela vê um papel escrito sobre uma pequena mesa comida pelos cupins. Receosa, ela pega o papel e lê.
Gritei aos homens: quero ser crucificado.
E eles me perguntaram: por que seu sangue haveria de recair sobre nossa cabeça?
– E de que outra forma serão elevados, a não ser crucificando os loucos?
Concordaram comigo e fui crucificado. E a crucificação me apaziguou. Quando estava suspenso entre a terra e o céu, eles ergueram a cabeça para me ver. E foram elevados, pois suas cabeças nunca tinham se erguido antes. Mas logo depois de erguerem a cabeça e me ver, perguntaram:
– Que pecado está pagando?
– Por que motivo se sacrifica?
– Você acha que esse é o preço da glória do mundo?
– Olhem, ele está sorrindo! Será que uma dor assim pode ser perdoada?
Respondi: Lembrem-se apenas de que sorri. Não estou pagando nenhum pecado, nem fazendo nenhum sacrifício, nem desejo nenhuma gloria; e não tenho nada a perdoar.
E agora me vou, como outros crucificados se foram. E não pensem que estamos fartos de crucificações. Pois temos de ser crucificados por homens cada vez maiores, entre terras e céus cada vez mais vastos.
Vidro estilhaça no cômodo ao lado. Selma larga a folha de papel e corre. Escolhe a porta errada, o cômodo está vazio. Volta ao corredor e chuta outra porta. De arma em punho, ela entra.
Lá, encontra várias portas. Uma delas está entreaberta. Selma a escolhe e entra no cômodo. O suor escorre pela testa e o coração parece querer sair pela boca. Ela vê um papel escrito sobre uma pequena mesa comida pelos cupins. Receosa, ela pega o papel e lê.
Gritei aos homens: quero ser crucificado.
E eles me perguntaram: por que seu sangue haveria de recair sobre nossa cabeça?
– E de que outra forma serão elevados, a não ser crucificando os loucos?
Concordaram comigo e fui crucificado. E a crucificação me apaziguou. Quando estava suspenso entre a terra e o céu, eles ergueram a cabeça para me ver. E foram elevados, pois suas cabeças nunca tinham se erguido antes. Mas logo depois de erguerem a cabeça e me ver, perguntaram:
– Que pecado está pagando?
– Por que motivo se sacrifica?
– Você acha que esse é o preço da glória do mundo?
– Olhem, ele está sorrindo! Será que uma dor assim pode ser perdoada?
Respondi: Lembrem-se apenas de que sorri. Não estou pagando nenhum pecado, nem fazendo nenhum sacrifício, nem desejo nenhuma gloria; e não tenho nada a perdoar.
E agora me vou, como outros crucificados se foram. E não pensem que estamos fartos de crucificações. Pois temos de ser crucificados por homens cada vez maiores, entre terras e céus cada vez mais vastos.
Vidro estilhaça no cômodo ao lado. Selma larga a folha de papel e corre. Escolhe a porta errada, o cômodo está vazio. Volta ao corredor e chuta outra porta. De arma em punho, ela entra.

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