Casamento: o poder do mito III
Moyers: Então o casamento é intrinsecamente incompatível com a idéia de cada um cuidar dos próprios interesses.
Campbell: Não se trata simplesmente dos próprios interesses, como você vê. De certa maneira, sim, cada um cuida dos próprios interesses, mas acontece que esse um não é apenas você, é a díade reunida em um. Eis aí uma imagem genuinamente mitológica, significando o sacrifício de uma entidade visível em nome de um deus transcendente. Isso é algo que se torna maravilhosamente consciente no segundo estágio do matrimônio, que eu chamo de estágio alquímico - os dois vivendo a experiência de serem um. Se continuarem vivendo como viviam no primeiro estágio do casamento, eles se separarão quando as crianças os deixarem. O papai se apaixonará por alguma garotinha casadoura, cairá fora, e a mamãe se verá a sós com uma casa e um coração vazios, e terá de resolver a coisa por si mesma, com seus próprios recursos.
Moyers: É por isso que não entendemos os dois níveis de casamento.
Campbell: Vocês não assumem um compromisso.
Moyers: Supostamente, sim - assumimos um compromisso para o melhor e para o pior.
Campbell: São vestígios de um ritual.
Moyers: E o ritual perdeu sua força. O ritual, que antes representava uma realidade profunda virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião.
Campbell: Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado.
Moyers: Você está dizendo que o casamento não é apenas um arranjo social, mas um exercício espiritual.
Campbell: É primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso. (...)
Campbell: Não se trata simplesmente dos próprios interesses, como você vê. De certa maneira, sim, cada um cuida dos próprios interesses, mas acontece que esse um não é apenas você, é a díade reunida em um. Eis aí uma imagem genuinamente mitológica, significando o sacrifício de uma entidade visível em nome de um deus transcendente. Isso é algo que se torna maravilhosamente consciente no segundo estágio do matrimônio, que eu chamo de estágio alquímico - os dois vivendo a experiência de serem um. Se continuarem vivendo como viviam no primeiro estágio do casamento, eles se separarão quando as crianças os deixarem. O papai se apaixonará por alguma garotinha casadoura, cairá fora, e a mamãe se verá a sós com uma casa e um coração vazios, e terá de resolver a coisa por si mesma, com seus próprios recursos.
Moyers: É por isso que não entendemos os dois níveis de casamento.
Campbell: Vocês não assumem um compromisso.
Moyers: Supostamente, sim - assumimos um compromisso para o melhor e para o pior.
Campbell: São vestígios de um ritual.
Moyers: E o ritual perdeu sua força. O ritual, que antes representava uma realidade profunda virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião.
Campbell: Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado.
Moyers: Você está dizendo que o casamento não é apenas um arranjo social, mas um exercício espiritual.
Campbell: É primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso. (...)

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