Poesia: Menino Ribeirinho

Ei menino!
Por que fica aí parado e não entra logo?
Tem medo de rio, menino?
Ora, que bobagem...
Vá e não fique aí pela metade!
Se o tempo tá quente
por que não banhar-se?
Ah, menino!
Se for por travessura tome cuidado.
Essas águas do rio vão e não voltam mais.
Outras podem até passar, mas num sei não...
É bom cair agora!
Vem, menino!
Vai ser bom! Não vai se arrepender.
O quê? Num é travessura não?!
É medo mesmo de imensidão?!
De fundura?
Que é isso, menino? Nós seguramos você!
Depois... depois você vai sozinho!
Vai ver que grandeza e fundura é bom.
Fica nadando que nem peixinho.
Sabe, o rio nos leva assim:
dança pra lá e pra cá.
Deslizando em suas águas caudalosas,
brincamos até não ver mais fim.
Êta menino, agora que é bom!
Quando chegamos, ficamos sem pensar,
e é tão bom, tão bom,
que até parece que sempre fomos mar!
Êta menino, vem!
Espera mais não!
Adélio Cunha

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