2.01.2007

Mahabharata: Cap. 09

O poeta, que Shri Ganesha chamava de Filho do Nevoeiro, fechou-se em silêncio por um instante. Procurou forças interiores. E em torno dos três, pela simples força do poeta, a paisagem havia se transformado. O menino estremeceu e aproximou-se de Vyasa. Encontravam-se no limite das neves eternas, sob um vento gélido e um céu negro, rasgado por raios constantes.
Lá estava Pandu e suas esposas. O rei chorava por viver sem filhos. Kunti confessou-lhe possuir um mantra que lhe dava o poder de invocar um deus, a sua vontade, e ter deste um filho. Sem nada revelar do abandono de Karna. Pandu pediu para que invocasse Dharma, o deus da justiça, da lei, da marcha correta do mundo. Kunti recolheu-se, pronunciou seu mantra, e no mesmo instante, a luz dissipou as trevas e um recém-nascido apareceu-lhes. Yudishsthira, filho de Dharma, nascido para ser rei. Inclinaram-se com respeito diante de seu primeiro filho.
- Dá nos outro filho – disse Pandu – agora invoca Vayu, deus do vento.
E assim ela o fez. Da luz surgiu Bhima. Kunti, ao estender os braços para ele, fez um movimento em falso. O menino caiu sobre um rochedo, mas foi o rochedo que se partiu. Bhima é de força incomparável, o sustentáculo da família. Quebrou um grosso galho de árvore para fazer uma clava, e sentou-se do lado do irmão mais velho.
Então, Kunti tomou a iniciativa e chamou Indra, o rei dos deuses. E o terceiro filho surgiu, era Arjuna, o belo e calmo nobre, o melhor dos príncipes. Nesse momento, Madri também pediu o mantra, para poder ela mesma gerar filhos divinos. Kunti concordou e o sussurrou em seu ouvido. Madri invocou de uma vez os gêmeos de olhos dourados Aswins, e fez nascer os gêmeos Nakula e Sahadeva, os prudentes.
Yudishsthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva. Cinco filhos de deuses, que dali em diante seriam chamados Pândavas, os filhos de Pandu.

Continua: Os portadores da violência