2.07.2007

O Louco: Cap.III

O celular toca e desperta Selma de seus pensamentos. Ela procura na bolsa e leva alguns segundos para ver que ela o havia deixado no painel do carro. Olha pelo retrovisor, parece procurar o mendigo, e atende:
- Dona Selma? É Marta.
- Marta, pode falar.
- O Seu Carlos ligou avisando que vai atrasar. Ele perguntou pela senhora, disse que já ligou umas vezes, mas ninguém atende o celular. A senhora quer que eu dê algum recado a ele se ele tornar a ligar?
- Não, tudo bem. Eu ligo pra ele. Obrigada Marta.
Selma confere a caixa de mensagens do aparelho. O carro ainda está ligado. A chuva aperta. Lá fora está menos confuso do que na sua cabeça. Ela busca com os olhos, algo que sua mente possa ter esquecido. Eles param diante de um adesivo da polícia colado no vidro da frente. E sua cabeça faz uma viagem até a delegacia.
A sala do delegado é mal arrumada. Uma pilha de casos se acumula na mesa e esconde as poucas fotos de família que lutam bravamente para permanecer ali. Selma está em pé diante dele, ela o encara. O homem está nervoso, mas evita olhá-la nos olhos, isso a irrita.
- Você nem pense em fazer isso mocinha. Esse elemento é perigoso, temos poucas informações sobre ele, e eu estou aqui pra isso. Na verdade, já estou há muito tempo na polícia, e sei de muitos casos parecidos, em que jovens metidas a valente como você, acabaram muito mal. Está me ouvindo, moça?
Selma finge não ouvir, olha os quadros da parede.
- Selma, estou falando com você!
A porta se abre e um policial ofegante atravessa com a delicadeza de um touro numa loja de porcelana.
- Senhor, acabaram de ligar... desculpe, eu não sabia.
- Por favor, continue.
- É uma ligação da 15ª, problemas num banco.
- Selma, aguarde um instante.
Ela não tem esse tempo todo, e sabe disso.