12.13.2006

Casa Santa: Cap 4

Ladrão: Viver de roubo não é fácil. Já até pensei em largar a vida do crime, mas situações como essa sempre me fazem cair em tentação.
Ladrão pula diante de João.
Ladrão: Olá meu bom homi, caminheiro dessa imensidão. Jozimar é a minha graça, coletor de impostos minha profissão.
João: Dia, Seu Jozimar. Meu nome é João, ando por este sertão, atrás de alguma filicidade boa.
Ladrão: Me contaram com tristeza, que por essas bandas vive um véio doente com sua riqueza. Espera com pesar a hora de esticar o couro, e eu o momento certo de roubar-lhe o ouro... quer dizer, cumprir minha tarefa. Pois mesmo diante da pior situação, cabe ao coletor de impostos zelar pelo bem de nossa nação.
João: O ouro.
Ladrão: Sim... não. Bem, como sabe?
João: Já me disseram o mesmo. Que o ouro é o bem maior.
Ladrão: Sábio homem que a ocê disseste, e quem foi o homi que tal bem fizeste?
João: Um tal de Raimundo Matador.
Ladrão: Raimundo Matador?!
João: Anda por essas bandas procurando um ladrãozinho que não vale um tostão furado, disse que quando pegá-lo, o cabra vai virar comida de urubu, pendurado pelas orelhas na caatinga e com as tripas...
Ladrão: Chega!!! Já ouvi demais, e esses problemas não me interessam, rapaz. Venho nesse momento, perguntar como anda o veio mulambento?
João: Como sabe que estive com ele?
Ladrão: Foi o que disseram por aí.
João: Mas eu não falei com ninguém sobre isso.
Ladrão: Ah que horror, esse minino enlouquece qualquer bom trabaiador. Dexê de me apoquentar que eu tenho uma grana pra abocanhar. E saiba que muito bem lhe faria se deixasse essa busca de lado e corresse atrás da sua quantia.
Cortejo fúnebre vem trazendo o corpo do velho avarento.
Continua amanhã...