2.08.2007

Mahabharata: Cap. 10

Shri Ganesha, que anotava o poema com sua preza desde o principio, indagou - E o que ocorreu com Dhritarashtra e a esposa? - Os olhos do menino pareciam fazer a mesma indagação. Vyasa compreendeu e continuou:
Quando Gandhari, a rainha da venda negra, ficou grávida, carregou seu fruto durante dois anos. Seu ventre estava pesado e muito duro. Ficou sabendo do nascimento de Yudishsthira, o primeiro filho de Kunti, e que ele nascera para ser rei da terra. Entretanto, Gandhari queria a coroa para seu próprio filho, que por obscura decisão do destino, tardava a nascer. Assim, pediu a serva para bater-lhe no ventre com uma barra de ferro. A serva recusou, mas a rainha deu ordens severas para que o fizesse, e várias pancadas foram desferidas até que uma bola estranha saísse de dentro dela.
- O que acaba de sair do meu ventre?
- Uma bola de carne, fria e dura.
- Joga isso num poço e deixa-me só.
Dizem que teria sido mais prudente obedecer à ordem da rainha. Mas Vyasa, seguindo uma ordem secreta ou um capricho pessoal, apareceu diante de Gandhari e disse.
- Não jogues nada fora. Corta essa bola em cem pedaços, coloca-os em cem jarros de barro, molhando-os com água fresca e deles nascerão cem filhos.
E cem filhos nasceram dessa magia. O primeiro veio ao mundo urrando como um asno feroz. Em resposta, os cães e os chacais urravam de medo e raiva. Nasceu Duryodhana, o duro de vencer. Mas o que isso significaria? Interrogado, Bhishma, que conhecia todos os presságios, disse que seria preciso sacrificar aquela criança maligna. Mas o rei e a rainha recusaram-se.
- Jamais tiveste um filho nos braços. – disse o rei – não sabes o que significa faer correr o próprio sangue. Não posso matar meu filho.
- Mesmo que urre, trazendo terror e ódio, meu filho não será morto. – disse a rainha. E Duryodhana sobreviveu, o primeiro dos cem filhos portadores de violência.

Continua... Pandu se despede