2.12.2007

O Louco: Cap.VIII

Um Perito tira foto do cadáver no chão. Selma acompanha o trabalho e anota algo no seu bloco de papel. Um policial se aproxima dela
- Detetive, essa era carteira de identidade da vítima.
O rapaz da foto é simpático, branco, cabelos negros e curtos, jovem, bem afeiçoado.
- Kevin... encontraram alguma droga?
- Nada. O cara tava limpo. Se a senhora quiser tem uns vizinhos dispostos a falar, mas já adiantaram que o cara era um santo.
- Certo.
- Detetive, o cara era funcionário de repartição pública, solteiro, aparentemente tranqüilo, sem vício... quem vai matar um maluco desses? Foi assalto na certa.
Selma olha o álbum de fotos de Kevin. O rapaz é simpático mesmo. Mas em nenhuma foto ele sorri. Os depoimentos de vizinhos, amigos, colegas do trabalho não ajudam muito.
– Era como um filho pra gente.
– Nem parecia funcionário público, vinha todo dia.
– Taí, a galera achava ele meio esquisito, acho que não tinha namorada.
– O Kevin sempre me ajudava com o lixo, um ótimo rapaz.
– Família, ele nunca falou nada. Ele morava sozinho. Sabe de algo Fernando?
– Ele era na dele, caladão, mas era bacana. Fim triste esse, né?
No necrotério, o médico tentou ajudar. Mas o corpo havia sumido misteriosamente.
– Não consigo entender. Estava aqui pro exame, e logo depois sumiu.
– Isso é estranho. Um corpo não sai por aí assim, ou sai?!
Selma sabia que não deveria ter ido até o cemitério, mas era o seu dever.
– De todos os que vieram aqui pra eu enterrar, só gostei dele.
– Por que? – indagou confusa a detetive.
– Por que? Dona, todos que vêm aqui, vêm chorando e vão embora chorando. Só ele vem rindo e vai embora rindo.
Selma parou, olhou o coveiro.
– Ele esteve aqui mais de uma vez?
– Ô. Umas sete.